REUNIÃO DE CONCERTAÇÃO ENTRE EX-DISAS E VÍTIMAS DO 270577

A conciliação mais do que nunca é um imperativo de cidadania. Hoje, 27 de Maio de 2026, é um dia de profunda reflexão, sobre as reais motivações que levaram a ala de Agostinho Neto a engendrar um golpe, tudo para eliminar “camaradas” do mesmo partido, cujo crime era terem ideias diferentes.

Por William Tonet

Para essa empreitada, orientaram a Polícia política de então, DISA, para o trabalho de pocilga. Em cada 27 de Maio, os nossos clamores ecoarão em busca da verdade e dos verdadeiros mandantes do genocídio. Os executores, agentes da DISA, por estranha fidelidade ainda ao MPLA, preferem carregar o peso sozinhos.

Deveriam exigir, reciprocidade. Sem isso não vão deixar de se torturar, nem de ser torturados pelas vítimas. Muitos têm ciência de terem sido utilizados como cães predadores.

Verdade ou mentira, o silêncio cúmplice, incrimina…

Libertem-se. Gritem. Chorem, diante das vítimas… O inverso é verdadeiro…

Inaugure-se um diálogo, respeitoso entre diferentes, que sofrem muito. Ainda!

Que não haja, entre DISAS e vítimas a pretensão de  transformarem a mentira em verdade…

Por esta razão, deve-se abandonar o colete de força e libertar o que a alma de  cada um de nós carrega, nestes 49 anos.

Não é tarefa fácil, mas será a maior missão libertadora.

Não partam com os vossos “livros”, sobre uma tragédia, que muitos de vocês não tinha real conhecimento…

Se depositarem todo este acervo, apenas e só, nas prateleiras dos cemitérios, serão sempre vistos, como  covardes, traidores e sanguinários. Despojados de quaisquer honrarias, emprestem dignidade aos vossos apelidos.

Não deixem prosperar, eternamente, a tese dos mandantes, sejam altruístas, a bem da vossa imagem…

Tomem a decisão sábia, ainda em tempo. Libertem-se das grilhetas do medo e iniciem um novo advir, em parceria das vítimas.

A verdade é dura… Dói, mas libertar-vos-á!

Aceitem uma plataforma para um diálogo inclusivo, entre  todos: DISAS e VÍTIMAS, que já foram, ontem, camaradas do mesmo partido…

Desafio-vos a encontros sinceros, sem cartilhas ideológicas impositivas, para libertação de todas pedras e espinhas, que carregamos, faz 49 anos.

Criemos, com humildade, uma agenda honesta e verdadeira, visando um denominador comum: a VERDADE!

Não precisamos de pirotecnia.

Não precisamos de holofotes da comunicação social especuladora.

Criemos duas comissões, sem medo, sem vergonha. Com blindado sentido de responsabilidade.

Afastemos as acusações preconceituosas.

Elejamos a audição respeitosa e sincera de cada um…

De cada trincheira, que teve impressões digitais, numa tragédia,  que a todos envergonha, independente da barricada.

Precisamos do silêncio dos corajosos, da responsabilidade e sentido de dever, para, antes tarde do que nunca, deixarmos um legado de honorabilidade aos descendentes e ao país real.

O passado já não volta. Mas a frontalidade e sinceridade do presente, leva à conciliação, para juntos, buscarmos o futuro de uma verdadeira reconciliação…

Os mortos, os presos sacrificados e quem, muitas vezes enganado, cumpriu ordens ilegítimas,  em nome do MPLA, em 1977, merecem mais do que simples e alegadas ossadas… Merecem incontido respeito…

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